quarta-feira, 26 de julho de 2017

A Justiça tarda mas não falha!

No dia 20 de Fevereiro, comentei por aqui uma noticia que muito me incomodou, o seu título era: "Aos 50 anos "o sexo" já não tem importância?", o título correspondia a parte de um trecho de um acórdão do tribunal português, que decidia sobre um erro médico, num procedimento ginecológico a uma mulher que tinha ficado com 73% de incapacidade.
Hoje passado tanto tempo e já tendo está senhora 60 e alguns anos, uma demência progressiva e uma auto-estima destruída, veio o tribunal europeu dos direitos humanos condenar Portugal e os tribunais portugueses por tamanha atrocidade!



sexta-feira, 7 de julho de 2017

"Davam a mãe para serem filhos do CR7"

Texto da Jornalista Isabela Stilwell

Leem na integra!!! E reflitam.


" Sei que é politicamente incorreto dizê-lo, mas indigna-me o aparente consenso com que as pessoas acolhem o "episódio" Cristiano Ronaldo e os gémeos, aceitando alegremente a versão de que foram gerados por uma barriga paga a preço de ouro. Como se não houvesse nada de chocante em que as crianças fossem entregues como se não passassem de um qualquer gadjet, encomendado pela internet, e que se espera ansiosamente tenha a nossa cara. Como se, em sendo verdade (e elas aceitam que sim) não houvesse nada de especial em mandar fabricar crianças propositadamente órfãs de mãe, exibindo-as narcisicamente como um produto exclusivo. Nem sequer vejo estranhar uma opção destas tomada por alguém que tem na própria mãe uma heroína, indispensável em todos os momentos.
 
Espantam-me os milhões de gostos quando alguém declara que aos filhos basta terem "pai e um pai inacreditável" como ele, como se não soubéssemos todos que é exatamente quando um dos pais se acha tão extraordinário, que a criança mais precisa do contraponto de alguém "normal" na sua vida.
 
Estranho porque é que tantas pessoas se calam, nomeadamente gente com responsabilidade na defesa dos direitos das crianças, e que sabem bem que o direito a uma mãe ou a um pai, não é uma prorrogativa de quem a procriou, mas da própria criança. Porque não tornam pública uma opinião fundamentada sobre o que acontece não só neste caso mas no de tantos outros "famosos" que repetidamente enchem as páginas dos media, uma opinião que nos ajude a refletir?
 
Deixa-me perplexa porque é que os sábios não se chegam à frente para perguntar alto se é realmente isto que queremos, um futuro onde o dinheiro compra a técnica para tornar as crianças num produto consumível, produzido cada vez mais "à carta"?  Consubstanciando, além do mais, um negócio de compra e venda de seres humanos.
 
E, já agora, porque estão silenciosos os Historiadores, que sabem bem que embora mascarado de admirável mundo novo, o que vemos agora acontecer é, na essência, um retrocesso civilizacional. Os homens ricos e poderosos punham, sem pestanejar, o corpo das mulheres ao seu serviço. As "barregãs" que viam o filho reconhecido pelo rei, eram recompensadas "pelo uso do seu corpo" (a expressão é mesmo esta), e os infantes criados na corte, educados com todos os privilégios que o divino sangue paterno ditava. Soa familiar? Muito, mas convinha também recordar como os direitos das mulheres e das crianças evoluíram desde aí, como de pouco vale pugnar por quotas nas empresas se aceitamos fechar os olhos a coisas como estas.
 
E nós todos, cidadãos comuns, mas que temos voz e voto, em que é que ficamos? Basta uma vista rápida aos comentários à notícia para perceber que, para muitos, a fama e o dinheiro parecem compensar tudo. Se a criança pergunta pela mãe, que importa que lhe digam que morreu ou viaja (como li nas declarações de uma das irmãs Aveiro), se em troca pode entrar pelo campo adentro ao lado do pai mais famoso do mundo (com todo o mérito), que diferença faz que um dia deixe de perguntar por ela e se remeta a um silêncio deprimido, se pode viajar, viver numa mansão de infinitos quartos, realizar todos os desejos e herdar um dia a fortuna do craque? Decididamente, talvez tantos se calem porque, secretamente, davam a mãe para serem filhos do Cristiano Ronaldo."
 

terça-feira, 4 de julho de 2017

A Injustiça do Chumbo

Uma das polémicas dos jornais de hoje, trata as supostas orientações do Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, às escolas, sobre as transições, retenções, aprovações ou reprovações dadas aos alunos com negativas.


Diz a notícia que as tais orientações admitem o "chumbo" apenas como medida excepcional, e que o Ministério reconhece que o "chumbo" é "ineficaz, caro, punitivo e segregador".


Toda esta informação, não me apanha desprevenida, já que esta luta pedagógica sobre quem reprova ou fica retido no mesmo ano escolar, não é nova, vem até de há muitos anos, aquilo que me incomodou nesta noticia foram os comentários dos leitores. Ora vejamos alguns:


“A minha filha, no 7° ano, teve colegas a transitar de ano com 6 negativas e até, alguns, com faltas disciplinas. Ainda ontem me questionou de que vale estudar tanto... Claro que teve resposta, mas compreende-se a desmotivação de muitas crianças.

 “Concordo em tudo o que disse...na turma do meu filho passaram alunos com 4,5 e 6 negativas, faltas disciplinares, enfim.....o meu estudou, batalhou para sempre para subir as notas e eu ( e ele claro) perguntamos será que vale a pena com estes métodos de passagem de ano.

Não quero maçar, com a transcrição de todos os comentário, até porque esta pequena amostra, é exemplo claro do meu incomodo, e da minha canseira, mal-estar e até indisposição quando me deparo com esta gentinha, que cria a sua justiça por comparação ao mau dos outros.

Na realidade haveria injustiça se os filhos dos autores dos comentários acima, tivessem "chumbado", mas na realidade isso não aconteceu. Ao que tudo indica, os seus filhos estudaram imenso durante o ano, trabalharam e virem refletido na pauta o produto desse trabalho, pelo que não foram injustiçados.
Ao lê-los fico com a ténue impressão que pretendiam estes pais que os seus filhos subissem ainda mais as notas por solidariedade aos que passam de ano sem saber ler nem escrever.

Embasbaco, com a facilidade, que em geral as pessoas tem de se nivelar pelos outros, a perplexidade para tamanha falta de noção individual é gigante. Cada um sabe de si, se os alunos passaram sem saber, vão ter problemas graves no futuro escolar, não é transmissível pelo ar, as notas dos seus filhos foram o alcance da sua avaliação, não dos outros.

Para quê comentar desta forma, o importante na noticia, é a mascara que os alunos de Portugal põem nos conhecimentos e não a mesquinhez do "o meu filho sabe mais e sente que não vale a pena estudar!" Porra o puto estuda para quê? Para ter nota ou para saber?
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