terça-feira, 31 de julho de 2007

24h, 7 dias, 52 semanas, 12 meses, por ano

Está cada vez mais difícil o nosso mercado de trabalho. Difícil é arranjar um trabalho, difícil é mantê-lo, difícil é não nos deixarmos explorar nas circunstâncias que começam por ser esporádicas e com o tempo se tornam parte da rotina, difícil é marcar a posição de pessoas com vida pessoal e não só vida profissional, enfim é mantermo-nos coesos nas nossas prioridades pessoais, familiares e profissionais.

Obviamente que não sou obstinada ao ponto de não compreender que existem pessoas que valorizam mais a sua vida profissional que a pessoal, ou que se sentem realizados com o trabalho constante durante 24h, 7 dias, 52 semanas, 12 meses, por ano. Claramente que essas pessoas são livres de viverem com o trabalho no seu pensamento quando tomam o pequeno-almoço, quando tomam banho, ou fazem a barba, quando guiam no trânsito ou esperam o autocarro, quando almoçam, quando vão à casa de banho, quando voltam para casa, quando jantam, quando ligam o PC à noitinha e pensam: “hum já que liguei esta coisa, vou despachar aquele e-mail importantíssimo”, ou até mesmo quando dão um beijinho de boa noite aos filhos.

Quem de nós não se cruza diariamente com pessoas que se realizam apenas nos seus trabalhos? Todos os dias me cruzo com esse tipo de pessoas.
Se chegaram até este paragrafo, alguns de vós, estão com certeza a pensarem que faço juízos de valor acerca das pessoas que trabalham até tardíssimo, e atendem telefonemas do escritório durante as férias, porque digo que apenas se realizam no trabalho. Mas notem que não fiz, nem pretendo fazer quaisquer observações preconceituosas, estou apenas a tentar fazer um raciocínio lógico. Ora que uma pessoa se dedica ao trabalho quase 24 horas por dia, então que tempo lhe sobra para se dedicar à família, amigos, hobbies?

Hoje em dia está na moda a ideia de tempo de qualidade, ouço e leio imensas vezes figuras públicas dizerem que trabalham imenso, que tem pouco tempo para os filhos mas, o pouco que tem é de qualidade. Reconheço que muitas vezes as minhas ideias não convergem para as da moda, mas neste caso nem se trata disso, é que para mim, tempo é tempo.

Eu sempre gostei de estar aninhada no colo do meu pai a ver bonecos animados, com ele a ver uma revista de carros por exemplo, ou a brincar com bonecos perto dele enquanto ele brincava com jogos de computador, ou passado uma série de anos, a ler enquanto ele joga na sua playstation, adorava interromper a minha mãe, enquanto ela preparava o jantar para tirar dúvidas existenciais dos trabalhos de casa, ou chama-la para depois do banho me dar o toalhão e um beijinho.

Tempo é tempo, 24h, 7 dias, 52 semanas, 12 meses, por ano.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Baú de Recordações.

No dia 3 de Julho de 2007, o António Barreto, escreveu o seguinte no Público:


"Sócrates irrita-se facilmente, não gosta de ser contrariado. É a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar.

Não. Não se trata do lançamento de mais uma OPA sobre empresa ou clube desportivo. É, simplesmente, a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar. Quando o Governo de Sócrates iniciou as suas funções, percebeu-se imediatamente que a afirmação da autoridade política era uma preocupação prioritária. Depois de anos de hesitação, de adiamentos e de muita demagogia, o novo primeiro-ministro parecia disposto a mudar os hábitos locais. Devo dizer que a intenção não era desagradável. Merecia consideração. A democracia portuguesa necessita de autoridade, sem a qual está condenada. Lentamente, o esforço foi ganhando contornos. Mas, gradualmente também, foi-se percebendo que essa afirmação de autoridade recorria a métodos que muito deixavam a desejar. Sócrates irrita-se facilmente, não gosta de ser contrariado. Ninguém gosta, pois claro, mas há quem não se importe e ache mesmo que seja inevitável. O primeiro-ministro importa-se e pensa que tal pode ser evitado. Quanto mais não seja colocando as pessoas em situação de fragilidade, de receio ou de ameaça.

Vale a pena recordar, sumariamente, alguns dos instrumentos utilizados. A lei das chefias da Administração Pública, ditas de "confiança política" e cujos mandatos cessam com novas eleições, foi um gesto fundador. O bilhete de identidade "quase único" foi um sinal revelador. O Governo queria construir, paulatinamente, os mecanismos de controlo e informação. E quis significar à opinião que, nesse propósito, não brincava. A criação de um órgão de coordenação de todas as polícias parecia ser uma medida meramente técnica, mas percebeu-se que não era só isso. A colocação de tal organismo sob a tutela directa do primeiro-ministro veio esclarecer dúvidas. A revisão e reforma do estatuto do jornalista e da Entidade Reguladora para a Comunicação confirmaram um espírito. A exposição pública dos nomes de alguns devedores fiscais inscrevia-se nesta linha de conduta.

Os apelos à delação de funcionários ultrapassaram as fronteiras da decência. O processo disciplinar instaurado contra um professor que terá "desabafado" ou "insultado" o primeiro-ministro mostrou intranquilidade e crispação, o que não é particularmente grave, mas é sobretudo um aviso e, talvez, o primeiro de uma série cujo âmbito se desconhece ainda. A criação, anunciada esta semana, de um ficheiro dos funcionários públicos com cruzamento de todas as informações relativas a esses cidadãos, incluindo pormenores da vida privada dos próprios e dos seus filhos, agrava e concretiza um plano inadmissível de ingerência do Estado na vida dos cidadãos. Finalmente, o processo que Sócrates intentou agora contra um "bloguista" que, há anos, iniciou o episódio dos "diplomas" universitários do primeiro-ministro é mais um passo numa construção que ainda não tem nome.

Não se trata de imperícia. Se fosse, já o rumo teria sido corrigido. Não são ventos de loucura. Se fossem, teriam sido como tal denunciados. Nem são caprichos. É uma intenção, é uma estratégia, é um plano minuciosamente preparado e meticulosamente posto em prática. Passo a passo. Com ordem de prioridades. Primeiro os instrumentos, depois as leis, a seguir as medidas práticas, finalmente os gestos. E toda a vida pública será abrangida. Não serão apenas a liberdade individual, os direitos e garantias dos cidadãos ou a liberdade de expressão que são atingidos. Serão também as políticas de toda a espécie, as financeiras e as de investimento, como as da saúde, da educação, administrativas e todas as outras. O que se passou com a Ota é bem significativo.

Só o Presidente da República e as sondagens de opinião puseram termo, provisoriamente, note-se , a uma teimosia que se transformara numa pura irracionalidade. No país, já nem se discutem os méritos da questão em termos técnicos, sociais e económicos. O mesmo está em vias de acontecer com o TGV . E não se pense que o Governo não sabe explicar ou que mostra deficiências na sua política de comunicação. Não. O Governo, pelo contrário, sabe muito bem comunicar. Sabe falar com quem o ouve, gosta de informar quem o acata. Aprecia a companhia dos seus seguidores, do banqueiro de Estado e dos patrícios das empresas participadas. Só explica o que quer. Não explica o que não quer. E só informa sobre o que lhe convém, quando convém.

É verdade que o clima se agravou com o tempo. Nem tudo estava assim há dois anos. A aura de determinação cobria as deficiências de temperamento e as intenções de carácter. Mas dois conjuntos de factos precipitaram tudo. O caso dos diplomas e da Universidade Independente, a exibir uma extraordinária falta de maturidade. E o novo aeroporto de Lisboa, cujo atamancado processo de decisão e de informação deixou perplexo meio país. A posição angélica e imperial do primeiro-ministro determinado e firme abriu brechas. Seguiu-se o desassossego, para o qual temos agora uma moratória, não precisamente a concedida aos estudos do aeroporto, mas a indispensável ao exercício da presidência da União Europeia.

De qualquer modo, nada, nem sequer este plano de tutela dos direitos e da informação, justifica que quase todos os jornais, de referência ou não, dêem a notícia de que "o professor de Sócrates" foi pronunciado ou arguido ou acusado de corrupção ou do que quer que seja. Em título, em manchete ou em primeira página, foi esta a regra seguida pela maior parte da imprensa! Quando as redacções dos jornais não resistem à demagogia velhaca e sensacionalista, quase dão razão a quem pretende colocá-las sob tutela..."

Nova Temporada!!!


Estreia dia 25 de Setembro a quarta série de Dr. House.

E esta hein?

Li no Blasfémias, uma coisa que me deixou intrigada.

Então não é que a mulher do mandatário financeiro de António Costa vai investigar o caso de corrupção na Câmara de Lisboa.




O que mudará?

A nova lei do aborto, entrou em vigor em todo o país no dia 15 de Julho com a excepção do arquipélago da Madeira, onde executivo do governo regional se recusou a aplica-la até que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre a conformidade do diploma.

Segundo o executivo em funções, o referendo não será vinculantório, uma vez que não teve a participação mínima exigida por lei.

Há oito anos atrás, o referendo também não teve o mínimo de votos exigidos para que fosse vinculativo, contudo, a maioria expressa não alteraria o sentido da lei.

Na entrevista de ontem à noite, o Primeiro-ministro atestou que a Madeira "vai ter que aplicar a lei, porque é uma lei da República e porque resulta da vontade popular". Não admitindo “outro cenário que não seja o de aplicar a lei também na Região Autónoma da Madeira".

Aguarda-se então a decisão do Tribunal Constitucional para o pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade da lei do aborto.

Será que a Madeira, irá mesmo aplicar a nova lei, ou será o continente que terá de a mudar?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Está quase...


… a terceira temporada da série Prison Break, começa já em Setembro.

Mal posso esperar!

“Contra o medo, liberdade”

Porque eu não tenho medo de falar nem de tomar livremente nenhuma posição.

Vá-se lá perceber este Senhor!


Era acérrimo defensor do PSD, depois “rasgou” o seu cartão, voltando-se para os lados do Rato ora elogiando efusivamente o Primeiro-Ministro, ora apoiando o candidato do PS à Câmara de Lisboa.

Na sexta-feira veio defender a fusão do PSD com o CDS, num artigo de opinião do público, escrevendo que à semelhança do que já foi feito noutras situações se deveria “fundir esses dois partidos, também com movimentos, entidades e grupos de pessoas que tenham uma posição não-socialista”.

Parece que “ao ver o que aconteceu a Marques Mendes e a Paulo Portas” sentiu como raramente na sua vida “uma pulsão escatológica”

E perguntam vocês, o que é uma pulsão escatológica? Confesso que também tive de ir ao dicionário para perceber bem o que teria sentido o ilustre advogado da nossa praça, mas depois de ler e reler o significado de escatológica (relativo à escatologia) fiquei na mesma.

É que não consigo mesmo compreender, e olhem que fiz um esforço danado, como é que “um tratado sobre excrementos” ou a “parte da Teologia que se refere às coisas que deverão suceder no fim do mundo” se relacionará com aquilo que aconteceu a Marques Mendes e a Paulo Portas.

Mas continuando, “o facto é que, por erros e má fortuna (por amor ardente parece-me que não), os dois partidos da área da direita e do centro-direita chegaram praticamente ao grau zero da sua eficácia e do seu prestígio”, na realidade tanto o PSD como o CDS andam pelas lonas, sem apoiantes, ou com eles escondidos, mas será razão para fundirem ideologias diferentes, ou será que devem mesmo mudar de ideologias?

O grave é que, segundo o tão ilustre advogado da nossa praça, “o PS chegou-se ao centro com Guterres, continuou a fazê-lo com Sócrates e está a evoluir no sentido de um partido pós-social-democrata numa linha de liberalismo avançado”.
De repente ao reler este parágrafo lembrei-me do caso Charrua e pensei linha de liberalismo? Tenho mesmo que corrigir o meu dicionário de sinónimos.

Pergunto-me porque será que esta proposta não foi também feita aos partidos da esquerda com expressão no Parlamento, são mais de dois não são?

Centralizar partidos é reduzir opções, permitindo abusos de confiança e tentações de mais facilitismo, e corrupção, mas vá-se lá perceber este Senhor!

A Reportagem da SIC Noticias

Ainda não descobri como se colocam os vídeos nos posts. Já tenho comigo o código de HTML mas à qualquer coisa que não estou a fazer bem.

De qualquer maneira eu não me deixo vencer, por limitações tecnológicas quando julgo que algo é importante mostrar, assim, deixo o link para o post do blog 31 da Armada, onde está a reportagem da SIC Noticias que vos queria mostrar.

Prometo apreender rapidamente a colocar devidamente os vídeos nos posts. Até lá vejam este que vale apena!

ADENDA: Já consegui!!!

terça-feira, 24 de julho de 2007

Acho lindo, estes pormenores irrelevantes.

Durante a apresentação do Plano Tecnológico para a Educação, a demonstração do funcionamento dos quadros interactivos, foi feita por crianças contratadas pelo governo, por intermédio da NBP (agência de castings), as crianças, segundo o Público deveram ter recebido certa de 30€ pela sua prestação naquela apresentação.

Independentemente desta contratação não ter qualquer irregularidade, parece-me totalmente contraproducente, que qualquer governo fomente o trabalho infantil, seja ele árduo ou não, afinal de contas a estas crianças foram retiradas horas de lazer, porque os Senhores Ministros presumiram que ninguém perceberia o funcionamento dos ditos quadros se estes não fossem demonstrados por crianças.

Estranho, são as declarações da Ministra da Educação que encara o trabalho infantil como “um pormenor muito pouco relevante”.

Mas mais extraordinário ainda é termos um Primeiro-Ministro que considera o método utilizado normal!

Será que tempo espera por nós?

Acabo de ler o DN, edição online, e pergunto-me se algum dia este país terá esperança?

Costumo dizer muitas vezes que o suporte deste país, são os Bombeiros, as Santas Casas da Misericórdia e os Avós.
Será que não seria mais proveitoso, o nosso governo criar condições laborais, que permitam aos pais cumprir sem medo de penalizações, o seu horário de trabalho?

Será que as crianças não cresceriam mais saudáveis se o tempo diário que passam com os seus pais fosse superior a duas horas e meia, pouco mais que a duração de um filme?

Seguramente que todas as famílias tem a mesma preocupação, o importante é o bem-estar dos filhos, poder proporcionar-lhes qualidade de vida, mas sobretudo dar-lhes muito amor. Mas que podem os pais fazer, se está completamente instituído na nossa sociedade o trabalhar até às 19h30, 20h00 da noite?

Será que é vida, as mães chegarem a casa às 20h00, depois de um dia de trabalho, dar banho aos seus filhos, fazer o jantar para eles, jantarem, e porem-nos na cama até às 9h45, pois no outro dia de manhã o relógio não pára?

Será que é assim que vamos desenvolver a nossa sociedade?

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Será que...


é mais importante um quadro interactivo por cada três salas de aula, ou dez alunos por turma?


Este fim-de-semana doutorei-me!


No esfreganço!

É o país que temos,

Em Portugal uma mulher que faça uma interrupção voluntária da gravidez (IGV), note-se voluntária, tem direito a 30 dias de baixa com 100% do ordenado.
Contudo qualquer mulher grávida que precise de ficar de baixa, recebe apenas 65% do seu salário, caso o seu parto não seja de risco.

Extraordinário não é?

Mas as comparações não ficam por aqui, porque se uma mulher tiver um filho menor a quem tenha de dar assistência por motivo de doença e precise também de ficar de baixa continua a receber apenas 65% do seu ordenado.

Será que a nossa taxa de natalidade é assim tão elevada? É que tinha ideia que não!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ás vezes, quem me dera ser gaivota...

... para ficar assim, a olhar o mar!

Rotulagem

Quando chego de novo a qualquer sítio, seja ele qual for, o mínimo que espero é sentir-me integrada.

Não que tenha de concordar com tudo o que se passa, mas simplesmente gosto de me sentir integrada. Gosto de sentir que me aceitam como sou, sem mais perguntas, que não procuram encontrar os meus muitos defeitos, nem tão pouco me preocupa demonstrar as minhas qualidades, ambos se revelarão com o tempo.

A sociedade, contudo teima em rumar por sentido contrário, temos de etiquetar as pessoas, distribui-las por categorias, distingui-las em função de estereótipos, de perfis; a mim o que mais me incomoda, é que hoje em dia não é só a estatística que teima em conjugar o verbo decompor.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Divagando



Editorial

Os editoriais são textos cujo conteúdo expressa uma opinião, sem a obrigação de se ater a nenhuma imparcialidade ou objectividade.

Geralmente relacionado com textos de jornais, escritos num espaço com algumas colunas logo nas primeiras páginas, normalmente até tem um formato diferente com o objectivo de marcar que aquele texto é um opinanço puro e duro.

As linhas seguidas nos editorais, assinalam uma política predeterminada, estabelecendo a forma como vêem o mundo.

O importante neste espaço não será o quê, quem ou como foi opinado, mas a expressão das dúvidas, perplexidades, reflexões, dilemas e escolhas de quem opinou, ou seja eu.
Este é portanto o Meu Editorial.
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