3 de fevereiro de 2010

A Culpa é do Facebook

Conheci o meu marido, quando aos 17 anos fui a uma festa em casa da sua prima ainda que afastada, nessa altura a S. era senão uma das minhas melhores amigas.

Só pelo facto de ter sido ela a causadora do nosso encontro para a vida, deveria permanecer eternamente no meu coração, e apesar de tudo posso dizer que lhe tenho um carinho muitíssimo especial.
A prima do meu marido e eu, fomos durante anos colegas de liceu, partilharmos momentos de parvoeira, de choros desenfreados, de nervoseira, de alegrias, de muita graça, durante a nossa luta para sair da adolescência.

Eramos as melhores amigas, frequentávamos a casa uma da outra e andávamos quase siamesas, falávamos ao telefone depois de um dia inteiro juntas na escola e como se não bastasse quando desligávamos ainda passávamos algum tempo no chat de antigamente, o assustador mirc.

Quando o meu marido e eu começamos a namorar, a felicidade foi de ambos e da S. também, afinal a melhor amiga era a namorada do primo, mas eu não sei lá o que se passou (e confesso-vos que estou a ser totalmente sincera porque não sei mesmo) que no dia em que ela se mudou para o Porto para seguir o seu sonho de estudar música a nossa amizade acabou. "Pecadora eu me confesso" porque nem uma explicação para a ausência procurei tal a doideira com o namorico, e o tempo foi naturalmente passando.

Eu continuei a namorar o seu primo, mas a minha amiga de bancos de escola ficou perdida pelo Norte.

Podem não acreditar, mas nunca mais a voltei a ver nem a ter noticias suas, quando o meu mais-que-tudo e eu nos casámos, a parte da família a que ela pertencia não foi convidada pelos meus sogros, por questões de heranças mal resolvidas, mas eu tenho a plena convicção que não era essa matéria, a das brigas familiares, que nos afastava, porque quer ela quer o seu querido primo nunca se deixaram levar por guerras de pais.

Passados tantos anos voltei a encontra-la no facebook, e a reviver com alegria todas as coisas que fizemos juntas, mas de repente uma mágoa atroz invadiu o meu peito e eu fiquei assim triste, triste. Temos variadíssimos amigos em comum, mas nenhuma de nós dá um passo em frente para adicionar aquela que conhece tão bem, para adicionar aquela que nunca deveria de ter deixado de ser nossa amiga, aquela que devia ter partilhado todas as nossas alegrias, as nossas felicidades e também as nossas dores e amarguras. Quantas coisas teria para lhe dizer!!!

Como é que a vida dá assim tantas voltas? Quem é que há 11 anos atrás diria que a S. e eu hoje não nos falaríamos, que estamos uma para a outra como o Cais-do-Sodré para a Amadora?

A minha única consolação nesta história triste é de que tanto ela quanto eu somos felizes!!!

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